Sábado, 5 de Junho de 2010

CHOQUE

Desarticuladamente compadecida

o choque é fatal

mal respiro onde estou

simplesmente perpetuo o verbo jazer

algures numa calçada

progride a decadência

só vejo uma garrafa vulgar

cheia de vazio e sem génio

- demasiado óbvio –

imobilidade assaz da dissolução

tento escalar a falésia

buscando-te

ermitã instalada no ermo, buscando safiras

deformo os gestos

votando perfeição à memória

roupagem solene a que chamo ternura

a que chamo carinho

sacerdote incomparável…

 

Algures no fundo, talvez em rizoma

sucumbo

tal discípulo de ermitã!...    

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:43
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JORNADA

Sou modista artesã

atraída para joalharia!

Tudo para mim, num anseio de silêncio,

em que o fogo

veste a questão…

Não quero sombra estranha

mas clareza tranquila.

Há sementes semelhantes

em harmonia real

num desejo de perfeição…

num aprendizado de paciência …

Não quero a palavra

na dobra do lençol

mas a inteligência da idade

nesta inflamada jornada.

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:41
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ESPIRRO

É provação

querer ou crer!

De que lado de mim

tiraria a prova?

Na sobriedade súbita

busco o mastro

quero voltar para trás…

enquanto o barco segue na noite

regresso à idade

em que esqueço a presença da morte.

Quero o caminho do conhecimento!

Sem espirro de vela

ressoa o silêncio

que me enche de ontem…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:38
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IRÓNICO

Irónico borrão

devaneio de dejecto

ilusão do espírito

antigo reservatório amplamente conservado…

Ornamento e bordo sombras

exilo meu olhar sob si próprio,

estrutura secreta na mensagem,

no papel, o verbo!

Inventora cambaleante

na verdade da bruma.

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:37
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INCANSAVEL REPETIÇÃO

Insinuar de ecos de festa

no abafar de histórias humanas

encanto veloz

no cúmulo do anónimo.

Repetir incansável do segredo

vai deformando de forma sofrida

acudir irregular

acudir indispensável dos lábios

ziguezaguear da sedução

No caminho hesitante

o violar de territórios 

o derrubar de paliçadas

reflicto na noite

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:35
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CAÓTICA SEDUÇÃO

Tenho o projecto da morte, no fim.

Que culpa tem o projecto?

Derivo na vida e com maior ensejo

destaca-se o mero capricho

ferida pela obscuridade

encantamento maléfico.

Renova-se o sonho da infância

num cortejo de sorrisos.

Reconciliação com a prudência banal

suplemento de curiosidade que murmura

inabilidade no brilho de pintura rupestre

Amanhã

tempero o mundo deformado!

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:33
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SENSO LINEAR

evasão monótona

olvidar o sonho

clandestino

rói o tempo que apela à eternidade

ambição de solidez

arrebatar da noite convexa

projectar-se para fora do vagar do tempo

avança a dor sob estandarte de luz

com requintados vestígios de gelo

indícios de obscuridade na bruma

colecção de momentos perdidos

embalar e mimar o desejo

fastidioso

na tempestade que ribomba de noite

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:32
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PERMANÊNCIA

      (deve ler-se nos dois sentidos)

 

há luz quando me enrosco

sabiamente

subtilmente perfuras muralhas

ignoro o tempo

quebro o espaço

resíduo de perfume

aromatizam o espaço

encerras tenacidade

em singular virtude

de tagarela torga

primordial essa força

reflexos onde me perco

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:28
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APORTAR

          (permite ler-se nos dois sentidos)

 

rubra, a taça que se bebe

cheia de sol pôr

navio que balança

em olhar vacilante

astros em exaustão

no perfume de lábios

o tempo segue nu

ser fêmea fecunda

no apartar

aportar no vento do entardecer

 

 Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:26
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CANSADA DA LABUTA

cansada da labuta

lavro meu coração…

és árvore de fresca

sombra onde quero repousar…

a faina consome em barafunda

enorme desfruta no medrar das terras…

encosto-me às portadas

olhando sombras

de olhos crédulos, fogosos e tranquilos

ouço coaxar e trinar

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:23
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